A ventosaterapia e suas técnicas de aplicação

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A ventosaterapia e as suas técnicas de aplicação

É cada vez mais frequente o uso da medicina chinesa no tratamento de dores crônicas.

A ventosaterapia é uma terapia milenar chinesa através da aplicação de copos de diferentes tamanhos e materiais em locais de dor ou acupontos (pontos específicos da acupuntura), aliviando dores e desconfortos musculoesqueléticos.

A aplicação das ventosas ocorre por meio de uma bomba de sucção criando uma pressão negativa, aumentando o fluxo sanguíneo local e melhora da oxigenação muscular.

Apesar de ser uma técnica muito antiga, a terapia ficou ainda mais conhecida após os jogos olímpicos em 2016 que nadadores como Michael Phelps, vencedor de 19 medalhas de ouro, apareceu com marcas e hematomas nas costas e nos ombros.

Por se tratar de uma técnica simples e de fácil aplicação, ela se tornou aliada na recuperação dos atletas, com a finalidade de melhorar o desempenho e performance muscular.

Como funciona a técnica de ventosa e os seus principais benefícios:

A pressão negativa das ventosas sob a pele causa uma tração nos tecidos subcutâneos, causando um efeito biomecânico de alongamento local, liberação de tecido miosfacial e cicatricial e diminuição da rigidez da pele, ocasionando diminuição de tensão e alívio dos desconfortos.

O aumento do fluxo sanguíneo e o aparecimento dos hematomas, aumenta a perfusão sanguínea e atua como estímulo nociceptivo que ativa as vias descendentes inibitórias de controle da dor e facilita o processo de auto regulação do corpo, além de melhorar o sistema imunológico pela ativação e produção de novas células.

Estudos mostram que a terapia da ventosa apresenta os mesmos efeitos fisiológicos a liberação miofascial e aplicação do calor, melhorando não apenas a dor em variáveis fisiológicas, mas também em variáveis psicológicas e comportamentais, sendo um principal recurso no tratamento de dores e desconfortos.

Tipos de técnica:

Existem vários tipos de aplicação: o Dry cupping, que consiste na aplicação nos mesmos pontos de estímulo da acupuntura. Cupping massage, deslizamentos do copo sob a superfície da pele, muitas vezes utilizados com óleos lubrificantes e óleos com arnica para liberação da pele, Wet cupping, em que é realizado uma incisão na pele para extração do sangue antes da aplicação das ventosas e o Flash cupping, que utiliza os copos somente para pressão local, sem manter as ventosas no local.

A pressão de aplicação dos copos pode ser leve (100 e 300 milibar / um ou dois bombeamentos manuais), média (300 e 500 milibar / três ou quatro bombeamentos manuais), forte (acima de 500 milibar / cinco ou mais bombeamentos manuais) ou pulsátil (a pressão dentro dos copos é variável, entre 100 e 200 milibar a cada 2 segundos).  Geralmente, a sucção média é indicada para condições dolorosas do sistema musculoesquelético.

Estudos recentes mostram que a eficácia do tratamento para dores e desconfortos musculoesqueléticos deve ser em média de 5 sessões, com retenção dos copos em torno de 5 a 10 minutos, o que irá depender do tipo de pele do paciente e perfusão sanguínea específica.

Cuidados com o manuseio:  

O tempo prolongado de retenção dos copos pode causar bolhas ou queimaduras, é necessário o cuidado com peles mais sensíveis e observar a reação local durante a aplicação.

Após o tratamento é normal o aparecimento de marcas residuais e hematomas, em decorrência da ruptura de pequenos vasos sanguíneos, que são indolores e desaparecem entre 1 a 10 dias, por isso, é importante um intervalo de 3 a 4 dias entre aplicações para recuperação total do tecido.

Contra – indicações da ventosaterapia

Podem ser classificadas como relativas ou absolutas. Em casos absolutos, contraindicado em pacientes com câncer, insuficiência renal, insuficiência hepática e insuficiência cardíaca, pacientes que usam marca-passo e que sofrem de hemofilia ou condições semelhantes.

As contra-indicações relativas incluem infecção aguda, uso de anticoagulantes, doença crônica grave (como doenças cardíacas), gravidez, puerpério, menstruação e anemia.

Bibliografia:

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