O uso de ventosas em dores na coluna (Parte II)

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A lombalgia é considerada um problema de saúde pública que pode afetar qualquer pessoa. Cerca de 80% das pessoas sofrerão ao menos um episódio de dor lombar em algum momento da vida.

O tratamento adequado é individual e irá depende da avaliação de um profissional mas é consenso que o manejo de um quadro de dor crônica se torna mais desafiador aos profissionais de saúde envolvidos.

Lembramos que as diretrizes mais recentes para manejo de dor lombar crônica reforçam o trabalho multidisciplinar. Isso é, profissionais de diferentes áreas da saúde, como médicos, fisioterapeutas e psicólogos são imprescindíveis para o tratamento adequado. A prescrição de medicamentos, exercícios terapêuticos e intervenções psicossociais podem se fazer necessários.

No caso do uso da ventosaterapia no tratamento de pacientes com dor lombar crônica, fisioterapeutas tem observado efeitos positivos nesse recurso com efeito analgésico e sem efeitos colaterais ou deletérios importantes. 

Estudos relacionam os efeitos fisiológicos da ventosa aos de uma liberação miofascial ou à aplicação de calor. A Ciência também tem se dedicado a investigar melhor seus efeitos na dor através de variáveis fisiológicas, psicológicas e comportamentais. Alguns mecanismos de ação desse recurso são baseados em pressupostos, como as hipóteses metabólica, neuronal e da Medicina Tradicional Chinesa.

Em estudos prévios foram observados os efeitos da ventosaterapia na alteração da temperatura da superfície da pele, redução da pressão arterial sistêmica e na diminuição da experiência subjetiva de intensidade da dor.

Além disso, estudos sugerem a indução do metabolismo o anaeróbio por 280 minutos no tecido subcutâneo e aumento do limiar de dor pressão imediato.

Estudos recentes apontam que para a eficácia do tratamento para dores e desconfortos musculoesqueléticos o tratamento deve conter em média de 5 sessões, com retenção de copos em torno de 5 a 10 minutos, o que irá depender do tipo de pele do paciente e perfusão sanguínea específica.

No caso específico de dor lombar, estudos relatam que há a redução da dor e melhoria da incapacidade associada à dor lombar não específica e persistente por pelo menos 2 semanas após o término da intervenção.

Em uma revisão sistemática foi sugerida um protocolo de aplicação da técnica de dry cupping em 5 sessões, com em torno de 8 minutos, com força de sucção média, e intervalo de três a sete dias entre as aplicações em acupontos da região dorsal.

 Assim, a ventosaterapia demonstra resultados positivos sobre a dor crônica em adultos paravariáveis comportamentais da dor e em parâmetros fisiológicos. No entanto, é importante destacar que ainda faltam mais estudos científicos conduzidos com protocolos replicáveis,  tipo ensaio clínico randomizado (ECR), de alta qualidade e rigor metodológico.

 

Dra Renata Luri Fisioterapeuta Doutorada pela UNIFESP e Clínica La Posture

Dra Juliana Satake Fisioterapeuta Pós-graduada pela UNICAMP e Clínica La Posture

 

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