Ventosa e Lombalgia Crônica (Parte I)

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Lombalgia Crônica

 Dados do INSS apontam que a dor lombar é uma das maiores causas de afastamento do trabalho no Brasil. A dor lombar pode ser considerada um problema de saúde pública com relevância clínica, social e econômica.

O tratamento e manejo de uma dor lombar aguda tem bom prognóstico mas, em casos de dor que se estende por semanas em um ciclo de dor crônica, o tratamento se torna mais difícil.

Apesar de prevalente na população ainda há dificuldade em tratar adequadamente a dor crônica. O maior impacto de uma dor não tratada é levar a prejuízos físicos, mentais e sociais. Por isso, a importância do fisioterapeuta compreender as bases neurofisiológicas e psicobiológicas da dor crônica como um ponto essencial para avaliação e tratamento adequado do seu paciente.

 

Repensar o cuidado em quadros de Dor Crônica

 A dor crônica leva a repercussões físicas, emocionais e socioeconômicas. A medicalização excessiva, a insatisfação ou insucesso aos tratamentos prévios levam ao isolamento social, despesas na tentativa de aliviar as dores e efeito nocebo.

 Em estudo científico desenvolvido em um centro de referência mundial de dor crônica foi demonstrado que ocorrem mudanças a nível cerebral em pacientes com dor crônica. As pesquisas apontam evidências de um processamento cerebral anormal da informação corporal, associado a isso os estados emocionais negativos alteram o seu funcionamento e amplificam o sofrimento associado à dor. No entanto, os mecanismos envolvidos nos processos regulatórios ainda não foram elucidados pela Ciência.

 

 

Ventosaterapia na Dor

 Na contramão da medicalização desses pacientes, é observada uma maior aproximação de cuidado com a saúde por meio de um olhar global e integrativo.

Dentro dessa abordagem, a ventosa é uma vertente das terapêuticas da MTC (Medicina Tradicional Chinesa) quem tem apresentado bons resultados na redução da dor crônica. A ventosaterapia envolve a aplicação de copos de diferentes materiais, em um acuponto ou área de dor, mediante aparelhos de calor ou à vácuo.

 

O que a Ciência comprova?

Além da explicação dos seus benefícios baseada na visão da Medicina Tradicional Chinesa sobre fluxo e equilíbrio energético “yin/yang”, associa-se seus efeitos ao aumento de fluxo e perfusão sanguínea, atuando como estímulo nocioceptivo que ativa as vias descendentes inibitórias de controle da dor, facilitando o processo de auto-regulação do corpo, além de melhorar o sistema imunológico pela ativação e produção de novas células.

Além dessas comprovações, estudos vêm sendo conduzidos para investigar o papel da ventosaterapia no controle de dor a partir de variáveis fisiológicas, psicológicas e comportamentais. Assim, a ventosa tem ganhado papel de destaque com resultados promissores entre os fisioterapeutas como mais uma ferramenta para auxiliar no tratamento de pacientes quadros de dor crônica.

 

Dra Renata Luri Fisioterapeuta Doutora pela UNIFESP e Clínica La Posture

Dra Juliana Satake Fisioterapeuta Pós-graduada pela UNICAMP e Clínica La Posture

 

 

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